Explicacoes de Carlos Moedas sobre os custos da Jornada Mundial da Juventude revelam que a classe politica Portuguesa apenas consegue investir em Eventos e “festarolas

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Ola de novo a todos,

Peço desculpa por voltar ao mesmo assunto, mas acredito que seja importante compartilhar parte da entrevista que Carlos Moedas concedeu à SIC no último domingo, 30 de julho de 2023, pois para mim revela a gritante falta de rigor e visão da classe política em Portugal. Depois de ouvir estas declaracoes, parece que em Portugal o investimento publico apenas se limita a eventos e festas que, apesar de gerarem lucro, não representam mais do que dinheiro “fácil” e imediato.

Quando questionado pelo jornalista José Manuel Mestre sobre se o dinheiro gasto já incluía os custos ambientais, as horas extras dos trabalhadores ou o prejuízo das empresas que irao fechar, Carlos Moedas não respondeu à pergunta e afirmou: “isso é fácil de explicar, são 1 milhão de pessoas e se cada pessoa gastar cerca de 20 a 30 euros por dia durante 7 dias, isso são 300 milhões”.

Carlos Moedas não só evitou responder à questão, mostrando claramente que não há nenhum plano que contabilize o prejuízo causado pelo fecho das empresas, como também errou nos cálculos. Se cada pessoa gastar 30 euros por dia, ao fim de 7 dias serão 210 euros, e multiplicando isso por 1 milhão, temos 210 milhões, ou seja, uma diferença de 90 milhões. Infelizmente, parece que apenas são atirados valores ao ar sem uma análise detalhada.

No entanto, mesmo que o evento seja um sucesso e traga um retorno significativo, será a organização de eventos a única forma de investir dinheiro público? Enquanto há greves na Educação e na Saúde, sérios problemas na habitação e na emancipação dos jovens, não parece que a organização de eventos vá resolver essas questões. Após as finais das ligas dos campeões, a Websummit e a Jornada Mundial da Juventude, Portugal parece estar a tornar-se num mero salao de festas.

Julgo ser fundamental que os políticos adotem uma visão mais ampla e estratégica para investir recursos públicos. Eventos podem ser parte da estratégia, mas não devem ser a única forma de promover o desenvolvimento do país. É essencial considerar questões sociais e estruturais que afetam diretamente a qualidade de vida dos cidadãos.

Devemos exigir uma abordagem mais responsável e transparente aos nossos governantes, a fim de que os investimentos públicos beneficiem a população como um todo, atendendo às necessidades reais e urgentes do país. So assim poderemos construir uma sociedade mais justa e equilibrada para todos.

Espero que com este texto, consiga influenciar e consciencializar outros sobre as nossas responsabilidades como cidadãos e que continuemos a debater questões importantes de forma construtiva com o objectivo de um futuro melhor para Portugal.

Entrevista completa: https://sicnoticias.pt/especiais/jmj/2023-07-30-Carlos-Moedas-JMJ-e-um-investimento-sem-preco-que-vai-transformar-Lisboa-a05bd1a5

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